O vídeo tem poder

Postado em 28.5.10 por Urbanias | 0 comentários

Há alguns dias, a usuária Lidia Santos publicou uma reclamação no Urbanias, sobre uma escola que não possuia calçada. Recebemos a demanda, e bateu a dúvida se o responsável era a entidade ou a Prefeitura. Ligamos para o poder municipal, e confirmamos que a responsabilidade era da própria escola. Passamos então o caso para a Secretaria Estadual de Educação.

A resposta foi rápida: “a informação não procede, pois a escola tem calçada”.  Na demanda, a internauta havia dito que o local não possuía calçada. Na verdade, ela existe, mas é muito pequena, e está em más condições. Isso ficou claramente mostrado pelo vídeo feito pela moradora, que foi colocado junto com o novo cadastro

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Repassamos a solicitação para a Secretaria de Educação. Novamente, a resposta, de que uma equipe irá até a escola para verificar as condições do passeio, veio com rapidez.

Deste caso, temos duas coisas a destacar: a importância de registrar as reclamações com precisão, e como o registro em vídeo e em fotos deixam explícito o tamanho do problema relatado. Quanto mais claro ficar o registro do problema, maiores as chances das soluções serem efetivas. Pelo menos, é o que temos percebido por aqui.

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Pauta da semana: Campeões de crítica

Postado em 25.5.10 por Urbanias | 0 comentários

A Ouvidoria Geral do Município de São Paulo divulgou seu relatório trimestral, com os dados de quais serviços prestados pela Prefeitura foram os maiores alvos de reclamação. Os sites de notícias, como G1 e Estadão, tem destacado o aumento das queixas sobre o programa Leve Leite.

No entanto, o documento traz outros dados detalhados, como os temas mais reclamados por cada região, e em cada Secretaria. Em grande parte delas, está presente o item “qualidade no atendimento”, que também é o segundo na lista geral. O assunto líder de queixas é Iluminação Pública. O levantamento completo pode ser acessado aqui.

A Ouvidoria pode ser acionada quando o atendimento prestado pela administração municipal não atende as expectativas do munícipe, como se fosse uma segunda instância. Ela, então, irá procurar o órgão responsável para entender o porquê da falha e buscar soluções. O fone de contato, 0800-175717, atende de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.

Outra ferramenta para acompanhar os assuntos mais reclamados na cidade é o site  http://sacsp.mamulti.com, que reune dados de atendimento da central 156. Este levantamento é feito de maneira não-autorizada pela Prefeitura.

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O som no fim do túnel

Postado em 25.5.10 por Urbanias | 0 comentários

No metrô mais lotado do mundo, até o barulho tem dificuldades para entrar. Esta foi uma das principais conclusões que a reportagem do Urbanias teve ao viajar pelos trilhos subterrâneos de São Paulo, acompanhada do medidor de ruído.


Quinta-feira, 18h. Para embarcar na estação Barra Funda, é preciso esperar dois ou três trens passarem. Logo depois das plataformas, a composição entra no túnel. E é nestes momentos que o ruído fica mais forte.

Na hora do rush, quando cada parte do piso é disputada, foram registrados 87 db de barulho. Isso porque as pessoas dentro do vagão acabam impedindo a propagação do som. Já no fim de noite, com o metrô vazio, nosso medidor registrou pico de 106,4 decibéis, neste mesmo trecho.

Durante o pico de usuários do começo da noite, nosso medidor também viajou pelas linhas 1 e 3, e registrou média de 80 db nas viagens. Na Sé, nos momentos em que os avisos da estação são passados, o barulho alcançou 102,7 db. No piso mais alto desta estação estava sendo encenada uma peça de teatro, parte do projeto Seis na Sé, que apresenta diariamente espetáculos no primeiro piso da estação. Os atores usavam microfones para serem ouvidos, e o som também passava com frequencia dos 100 db: o recorde registrado, em 10 minutos na platéia, foi de 104,7 db.

Existem limites máximos para a exposição ao barulho. Segundo a Consolidação das Leis do Trabalho, o funcionário pode ficar até 8 horas exposta a 85 dBA. A cada 5 dBA a mais, este tempo cai pela metade. A 90 dBA, a exposição permitida é de até 4 horas por dia, por exemplo. 

“Até 80 dBA é seguro, mas pode variar de pessoa pra pessoa”, considera Ana Cláudia Fiorini , fonoaudióloga da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia e professora doutora da PUC. 

Um usuário cadastrou uma demanda no Urbanias questionando sobre os riscos do barulho no metrô. Leia a resposta aqui.

A perda auditiva induzida por ruído é uma doença crônica, causada pela exposição continuada. Ela é percebida a partir de 2 anos de exposição, e não pode ser revertida, mas apenas compensada por aparelhos de surdez.

A fonoaudióloga Mariangela Vanzim, do Centro Auditivo Telex, explica que, assim como no caso da visão, a perda de audição ocorre em graus diferentes. O ouvido pode perder a capacidade de ouvir os sons agudos, por exemplo, e continuar ouvindo os graves. “É o caso da pessoa que escuta o que a outra fala, mais não entende, pois não consegue ouvir os sons agudos da voz”, detalha. 

Além dos problemas para ouvir, as especialistas explicam que o excesso de ruído também provoca outras alterações no organismo: diminui a concentração e a atenção, aumenta o nervosismo e o estresse, gera perda de sono. Com tudo isso, a irritabilidade é bastante frequente.

“É um problema de saúde pública. Todo mundo tem um alto grau de exposição, maior ou menor. As pessoas precisam conhecer a lei, e depois usar protetor”, diz Ana Cláudia.

 
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Embarque na leitura

Na estação Paraíso, desde 2004, o metrô mantém uma pequena biblioteca, parte do programa Embarque na Leitura, que mantém estes espaços também em outras estações. Ao lado do quiosque, algumas mesas ficam à disposição para quem quiser começar a ler seu livro emprestado na mesma hora. Quem sentar ali, terá como companhia um volume médio de 80 db, enquanto que em uma biblioteca "tradicional", o som não passa de 40 db.

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Nos últimos sete dias, duas matérias chamaram a atenção para a baixa velocidade dos ônibus que trafegam pelos corredores, vias que deveriam permitir maior agilidade dos coletivos. O Portal R7 fez comparações  da velocidade dos ônibus em horário de pico (a menor média é de 12 km/h), com a de uma carroça com dois cavalos (26 km/h) e de um maratonista (20 km/h), entre outras.  Apenas o Expresso Tiradentes consegue boa velocidade média,  de 36 km/h. A SPTrans aponta a média de 19 km/h como “um desempenho bom”. Na cidade, a média geral fica em 17,2 km/h.

A matéria do R7 também traz possíveis soluções para o problema, como permitir ultrapassagens, redistribuir pontos e dar prioridade aos ônibus nos semáforos.  A Folha de S. Paulo também trouxe o assunto, na edição desta terça-feira. A matéria relata que, mesmo após as reformas realizadas pela prefeitura, a velocidade média dos corredores não se alterou.  Conteúdo do jornal aqui, restrito para assinantes. A página do R7 pode ser lida aqui.

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Conversa Urbana - O furo no aquário

Postado em 17.5.10 por Urbanias | 0 comentários

Hoje, 17 de maio, o Urbanias estreia mais um espaço em seu blog: o Conversa Urbana. Por aqui, sempre às segundas-feiras, postaremos uma breve entrevista com um especialista, sobre alguma questão da cidade, para saber como ela ocorre, e como poderia ser resolvida.

Abaixo, segue a conversa com o doutor e professor de Arquitetura e Urbanismo e especialista em conforto ambiental, Milton Vilhena Granado Jr, sobre como o barulho se espalha pela cidade, e como ele poderia ser contido ou evitado.

 

Você está em casa, e aí começa uma festa na vizinhança. Tem algo que se possa fazer na casa para amenizar o barulho?


Você ir pra festa (risos). É isso que o pessoal faz: convida pra festa pra você não reclamar. Isso é cultural. A legislação estabelece que, depois de certa hora, não se pode fazer barulho acima de tanto, mas as pessoas extrapolam.

A posteriori, encarece muito fazer o isolamento. Para isolar por completo, seria preciso fazer uma caixa desconectada da parede, porque o som passa por ela. E não poderia ter contato da parede nem do teto com esta estrutura. E outra coisa: é preciso ter ar condicionado. Caso contrário, na hora que se abrir pra ventilar, o som entra.

A questão do isolamento é como um furo no aquário. Se tiver um buraquinho, a água vaza. Da mesma forma, qualquer buraquinho serve como fonte de ruído. No metrô, por exemplo, tem um basculante em cima. Se for aberto, o barulho já entra. É pouca fresta, mas o suficiente pra entrar bastante ruído.

O Urbanias realizou algumas medições de barulho no metrô, e encontrou grande variação entre os dados obtidos com o vagão vazio e com o mesmo cheio. Em casa, acontece o mesmo?

Ao colocar móveis, se atenua em média 8 db, se comparado a um quarto vazio. Quanto mais tiver de mobiliado, especialmente de estofados, vai ser maior a absorção, só que vai absorver os agudos. E o que você tem nas ruas, em grande parte, são os graves, como o barulho de motor. Este ruido, que é de um grande comprimento de onda, precisa ter uma barreira muito grande, senão ele passa. Durante a noite, quem mora no Morumbi, por exemplo, chega a ouvir um pouco do barulho dos carros que passam na Marginal Pinheiros.

E nas ruas, os prédios funcionam como “barreiras” ao som?

Num bairro que tem maior densidade, que tem muito prédio, há uma inter-reflexão muito grande. Se tiver um prédio, uma avenida, e nada, beira-mar por exemplo, o som reflete nos prédios e depois vai embora. Se você tem duas fachadas paralelas, o som vai ficar se refletindo até ser absorvido, o que piora quando você tem um ambiente mais fechado.

Quanto mais “buraco” você tiver pra deixar passar o som,  melhora a situação. Se tem um espaço entre duas residências, o som vai escapar por ali. Se for uma rua com casas juntas nos dois lados, vai haver reflexão. Vale ainda a questão do aquario: se você abrir um buraco, a água vai embora. Se você deixar tudo fechado, ela permanece ali.

E tem o som direto também: esse não tem jeito. É o ruído de bar: to aqui conversando com você, o cara do lado está ouvindo. Esse é dificil de controlar. Já o som reverberado, que fica no ambiente, com isolamento e uma absorção complementar, se consegue melhorar a condição do ambiente.

E quais materiais absorvem mais o som?

As espumas, materiais porosos e fibrosos são excelentes absorventes de sons de alta frequencia. A partir dos 1000 hertz, chegam de 50 a 90% de absorção. Já o concreto, vai absorver pouco, tanto na baixa quanto na alta frequencia, pois tem uma densidade alta. Grosso modo, quanto mais denso o material, menor a absorção.

E um dos lugares mais barulhentos, os túneis do metrô, como não poderia deixar de ser, são todos de concreto...

Mas você pode tratar. Na França, por exemplo, eles colocam um tratamento acústico nas extremidades dos túneis, para o ruído não prejudicar as habitações próximas. O túnel da Nove de Julho, em São Paulo, tem umas placas perfuradas. O som passa por esses buraquinhos e entra numa câmara de ar, que segura parte do som. Além disso, nem todo o barulho que entra acaba saindo pelo mesmo canal. Vai ficar rebatendo até perder a força, como se fosse uma bola de tênis.

Imagina que você tem uma bola de tênis que você joga numa parede e ela volta. Se tem uma cortina na parede, ela bate e “morre” ali. Há uma absorção da energia que havia na bolinha. Se bate na parede, essa energia continua, e ela bate em outra parede, e em outra, e em outra, até perder a força. Com o som, é a mesma coisa. O primeiro de tudo num tratamento acústico é a fonte do barulho. Depois o meio, depois o receptor. A eficiencia aumenta se você trata a partir dessa sequencia. 

Mas na cidade, isso nem sempre é possível. Não podemos parar os carros..


É o motor do carro, moto com escapamento aberto, uma loucura. Se o cara tem uma moto que está com escapamento, dá 110 db. Ele passa o dia em cima de 110 db. Mesmo com capacete, ele tá em cima da fonte. Gera um ruído muito forte.

Tem os motores dos ônibus também.

E o motor tá ali, dentro da cabine, do lado do motorista. O passageiro sobe, desce ali, acabou. Mas o motorista, que tá lá o dia inteiro, esse sofre muito. Tem também muito problema com escolas. Normalmente, escolas do Estado e da Prefeitura são em áreas que não são adequadas para especulação imobiliária. Pra facilitar o acesso do aluno, eles colocam o ponto de ônibus em frente à escola. Imagina um ônibus saindo de uma ladeira, em primeira marcha.

Aí falam: o aluno é burro, ele não aprende. Ele não escuta o que o professor fala. Nós fizemos um trabalho pra uma escola que a diretora pegou dinheiro da Associação de Pais e Mestres, a APM, e investiu em janela anti-ruído. Só que se fecha, não ventila. Aí abre a porta da escola, tem o pátio. Então, tem que se resolver no projeto. Tem que se ter uma geometria acústica adequada pra sala: próximos de onde está o professor, materiais mais reflexivos; no fundo da sala, materiais absorventes.

Pena que esse planejamento acaba não chegando às escolas públicas..

Pra economizar, a qualidade dos materiais utilizados é muito ruim. Mas se pode resolver isso de outra forma: colocar a quadra esportiva junto com a via, por exemplo. Pela distância você atenua o ruído. Pode-se fazer um zoneamento dentro do projeto, e afastar o máximo possível das fontes de ruído os elementos que precisam ser protegidos, que nesse caso é a sala de aula. Não se precisa ter materiais muito sofisticados, porque pela distância você já se resguardou. São ações que ajudam sem encarecer. Só é preciso ter bom senso: se tem barulho ali, me afasto e acabou.

 
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Ontem, no começo da noite, levamos o medidor de ruído para um passeio informal pelas ruas de SP. Pegamos ônibus, metrô, lotação e andamos numa rua movimentada. Os resultados foram surpreendentes.

Em um ponto de ônibus da rua Teodoro Sampaio, por volta das 19h30, o nível de ruído girava em torno de 80 decibeis (db). Bastou uma freada de ônibus para esta medida alcançar 97. Já o motor mal-regulado de um coletivo que passou fez o marcador passar dos 100 db, quase o dobro da medida de 55 db, considerada pela OMS como limite saudável para o ouvido humano.

Depois, a reportagem embarcou em um ônibus com motor frontal, adquirido em 2004. Sentamos no banco logo atrás do motorista, que é reservado para idosos. Caso algum estivesse ali, poderia chegar a ficar exposto a ruídos quase sempre acima de 90 db, com recorde de 103,7 db. E pensar que os motoristas ficam expostos a esse nível de ruído todo o dia, todos os dias..

No metrô, a média não foi muito diferente. Na linha vermelha, no trecho entre Barra Funda e Marechal Deodoro, houve pico de 106,4 db. No entanto, a maior surpresa foi em um microonibus, com menos de dois anos de uso, com poucos passageiros e que trafegava por ruas tranquilas: com o motor ligado e o veículo parado, média de 70 db no espaço interno. Andando, ficava entre 80-90. Em uma subida, cheia de trepidações causadas pelo asfalto, o medidor apontou 103 db de ruído.

Nos próximos dias, iremos realizar medições mais abrangentes nos transportes, tanto nas ruas quanto nos trilhos, de modo a apontar os mais barulhentos, com o objetivo de debater com o poder público os possíveis caminhos para minimizar o problema. Participe também: se você conhece ou vive algum problema ligado ao barulho na cidade, conte pra gente.

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Mal Invisível

Postado em 11.5.10 por Urbanias | 0 comentários

A partir de hoje, o Urbanias começa a dar mais destaque para a questão da poluição sonora na cidade, um dos problemas mais presentes e menos percebidos. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, OMS, qualquer ruído acima de 55 decibéis pode ser considerado nocivo para a saúde.

Para medir e registrar esse incômodo literalmente invisível, mas de consequencias bem reais, o Urbanias conta agora com um medidor de som. O aparelho, que chegou aqui na redação hoje, é similar aos utilizados por profissionais de segurança do trabalho e do PSIU (que deveria fiscalizar os casos de excesso de barulho na cidade). Ele será levado pela nossa equipe para as ruas, com o objetivo de saber quanto de barulho absorvemos no dia a dia, e também irá nos acompanhar em casos extremos, como obras, igrejas, bares e baladas que incomodam a vizinhança há muito tempo, onde a fiscalização municipal simplesmente não chega.

Assim, se você estiver com problemas de barulho na vizinhança, não hesite: entre em contato conosco, através do e-mail rafael@urbanias.com.br , ou cadastre no site www.urbanias.com.br.

Para saber mais sobre os danos causados pelo barulho, confira abaixo reportagem publicada pela revista Saúde!:

Barulho de mais,  saúde de menos

Estresse, insônia e infecções dos mais diversos tipos compõem a lista de encrencas que a poluição sonora pode causar

Por Anderson Moço
Revista Saúde! - 02/2008

Decibéis muito acima do tolerável ocupam hoje o terceiro lugar no ranking de problemas ambientais que mais afetam populações do mundo inteiro, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) — a poluição do ar e a da água estão na dianteira. Não se trata de simples incômodo. Barulho mata. Só por infarto, são 210 mil vítimas fatais todo ano — aponta um relatório da OMS que deveria, este sim, sair da surdina para soar em alto volume. "A poluição sonora ainda não recebeu a devida atenção", lamenta o neurofisiologista Fernando Pimentel-Souza, da Universidade Federal de Minas Gerais, um dos maiores estudiosos brasileiros dos efeitos da poluição acústica na saúde humana.

Com tanto zunzunzum de carros, buzinas, telefones, eletrodomésticos, tocadores de MP3, um número incalculável de pessoas passou a sofrer, além dos óbvios distúrbios auditivos, de dor de cabeça crônica, hipertensão, alterações hormonais e insônia. "Somos assaltados o tempo inteiro por ruídos altíssimos", nota o otorrinolaringologista Arnaldo Guilherme, da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp. Só para você ter uma idéia, o trânsito em cidades como São Paulo, Belo Horizonte e Salvador alcança facilmente os 80 decibéis, o mesmo que um liquidifi cador ligado a 1 metro de distância. E, de acordo com a OMS, todo e qualquer som que ultrapasse os 55 decibéis já pode ser considerado nocivo para a saúde. "As pessoas não se dão conta do problemão a que estão expostas porque as conseqüências não são imediatas, elas vão se acumulando e só aparecem com o tempo", diz Guilherme.

Seria preciso viver isolado feito um ermitão para passar incólume pelo estresse acústico, carga de tensão que age como gatilho para todas as encrencas relacionadas à vida moderna e barulhenta. "Como, na prática, isso é impossível para a maioria nos grandes centros urbanos, o corpo entra numa espécie de alerta. A musculatura fica tensionada, o coração dispara, a pressão arterial sobe, o estômago fica cheio de suco gástrico e o intestino trabalha bem devagarinho", descreve o especialista.

"Muito barulho também provoca grande agitação, além de dificultar a concentração", afirma o otorrinolaringologista Arnaldo Guilherme. Quem trabalha em locais onde o nível de ruído vai às alturas sabe disso muito bem. "Às vezes a pessoa sente dificuldade para relaxar até quando
chega em casa, de tão elétrica que ficou durante o dia", completa Guilherme. Tanta excitação assim costuma levar a quadros de hiperatividade, agressividade, mau humor, depressão e até bipolaridade.

NOITES MALDORMIDAS

"Enquanto os outros sentidos descansam durante o sono, os ouvidos, ao contrário, se mantêm em estado de alerta", explica o engenheiro ambiental Eduardo Murgel, especialista em acústica em São Paulo. Quando os sons não passam dos 35 decibéis — nível encontrado em uma biblioteca, por exemplo —, a noite corre tranqüila e sem sobressaltos. Mas acima disso o sono vai ficando cada vez mais superficial, mesmo que não se chegue a acordar de fato com o barulho.

"Se, durante a noite, o nível de ruído atinge os 75 decibéis, como em uma rua movimentada, há uma perda de 70% nos estágios profundos do descanso, fundamentais para a consolidação da memória e do aprendizado e também para a renovação das células do corpo", ressalta o neurofisiologista Fernando Pimentel-Souza. Isso explica por que muita gente se sente sonolenta e cansada após passar uma noite em local barulhento. "Pular as etapas de sono profundo deixa a pessoa menos inteligente e criativa", acrescenta Pimentel-Souza de forma categórica.

Leia a matéria completa aqui: http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/saude/conteudo_270282.shtml  

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Com que veículo eu vou?

Postado em 6.5.10 por Urbanias | 0 comentários


Passei essa semana toda com uma dúvida: e se eu viesse de bike para o trabalho na sexta-feira? Conseguir uma resposta não é assim tão simples.

Eu, Rafael Balago, ando de bicicleta pelas ruas de SP há 7 anos, principalmente para trajetos de até 5 km. Já cruzei a cidade algumas vezes, e nunca tive nenhum acidente. Nos últimos tempos, tenho andado menos, mas ainda estou em forma.

Moro em Pirituba, distante 16 km do local de trabalho, na Vila Madalena. A maior parte do caminho é reto, apenas pela parte final, que tem a subida da Avenida Sumaré. Mesmo assim, essa subida não cansa tanto assim, principalmente por ter uma ciclovia. É uma das poucas vias da cidade que conta com um caminho reservado para bikes (ok, sempre tem gente correndo ou caminhando por ali também).

No entanto, antes de chegar lá, preciso passar pela avenida Edgar Facó, que tem uma ciclovia de passeio (cheia de curvas desnecessárias), pela Ponte do Piqueri (pontes são um problema, pois são estreitas e com entrada e saída de carros pelas alças de acesso, onde não há semáforo e atravessá-las de bike é sempre um risco - e se o caminhão não estiver me vendo?), pela avenida Ermano Marchetti, com seu asfalto detonado na faixa da direita (essa pista, onde devem trafegar as bikes, sempre apresenta problemas), o que convida a subir na calçada larga. Depois, na Lapa, ruas estreitas, de mão única, e com faixa de ônibus à direita. Assim, resta a esquerda, até que chega a hora dos coletivos trocarem de faixa, e das bicicletas fazerem o mesmo, no sentido contrário. Mais um pouco e chego na Sumaré. E sua ciclovia.

Além do caminho, um fator mais importante preocupa: o clima. Se tiver muito sol, fica mais difícil. Se correr risco de chuva no fim de tarde, pior ainda. Tem ainda a questão do vento: se ele vai estar contra ou a favor. É praticamente uma loteria.

Uma loteria, sim, mas com alguns prêmios garantidos: a sensação da chegada, depois da pedalada, é sempre muito gostosa. Dizem que é por causa da tal endorfina. E, na volta, ao deixar pra trás aquele mar de carros e ônibus lotados, a sensação de liberdade e agilidade é incrível. Ao chegar em casa, a disposição para o fim de semana certamente estará garantida. E com história pra contar.

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Dentre as reportagens da semana passada que envolvem a cidade, o Urbanias destaca a notícia divulgada pelo Estadão de que as igrejas e demais templos religiosos lideraram o ranking de reclamações sobre barulho recebidas pelo Ministério Público Estadual em 2009.


No site do Urbanias, que dedica uma seção exclusiva para que os usuários registrem problemas de excesso de ruído, já foram cadastradas queixas sobre bares, construções e carros que passam durante a noite pelas ruas com o som alto (sobre este último problema, estamos apurando para saber quem responde pela fiscalização). A Igreja Mundial do Poder de Deus, citada na matéria do jornal, também tem reclamação cadastrada no Urbanias, não apenas pelo barulho, mas também pela questão do trânsito. Na época, a CET prometeu implantar medidas para adequar o tráfego local. Leia mais aqui.


Veja a matéria completa do Estadão neste endereço: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100503/not_imp546009,0.php


Ainda sobre o tema, a Rádio CBN realizou uma entrevista  com José Ismael Lutti, 1º Promotor de Justiça do Meio Ambiente da Capital:

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